Epílogo de Warjillis - Katherina [Encerrado]

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Epílogo de Warjillis - Katherina [Encerrado]

Mensagem por Joshua Stranford em Ter 05 Mar 2013, 11:37

[Categoria: Individual mestrado por Joshua Stranford]

[Resumo: Capitão William tenta convencer Katherina a estabelecer a nova Ordem dos Capelões em Warjillis.]






Narrador:
Os próximos dias de Katherina eram bem tranquilos comparado àquele dia fatídico que Cross tentou montar seu próprio modelo sistemático onde começaria matando todos, inocentes e corruptos. Katherina tinha se recuperado com facilidade, ao menos suas feridas, mas talvez não tão rápido nas sequelas que as poções haviam lhe deixado. E depois desses dias, dias que foram usados para levantar e reparar muitas das construções, um novo capitão era designado a tomar o posto de Cross. Seu nome era William, e deveria ter por volta de seus 50 anos para cima, coincidente da idade de Cross, mas a personalidade completamente diferente. William era veterano de guerra e consigo carregava muitas experiências e histórias. Algum tempo atrás ainda teve oportunidade de lutar ao lado do comandante Lei Keylosh, e mesmo de outros famosos teranianos que mais tarde Katherina chegaria a ouvir falar sobre. Mas a vida agitada da capital não era para ele. Preferindo algo mais pacato, resolveu trabalhar em Warjillis e claro, poder providenciar tudo o que Katherina iria precisar.

Era uma manhã qualquer, as reconstruções e reformas tinham progredido a ponto de poder dar tempo suficiente para o capitão William convocar Katherina após sua recuperação. O velho homem estava abarrotado de papeladas em sua mesa e a cada dia parecia aumentar mais. Ao menos os poucos soldados leais e justos que permaneceram em Warjillis davam um apoio bom para o capitão velho. Capitão William aguardou calmamente naquele local que fora escritório de Cross, e agora um local completamente diferente, redecorado com uma escrivaninha amais que estava sem nenhum dono, mas abarrotada de papelada também. O velho capitão encontrava-se em sua mesa, mal sendo visivel por causa das torres de papeladas e algumas pastas.


Katherina:
Me recuperar das feridas físicas.. Isso foi o mais fácil. Estudos em cura, alquimia, poções, e claro, as receitas, ajudam a acelerar o processo de cura. O mais difícil foi confiar em qualquer outra pessoa naquela cidade. Dentre todos os quais depositei minha confiança, o soldado Wall foi o único digno de tê-la, e talvez a única pessoa que entende o que eu passo e a única pessoa pela qual eu tenho um grande apreço. Nunca deixei de escrever para ele, pois infelizmente ele está longe, e eu, bom, a única coisa que me dá um pouco mais de alegria é saber que ele está bem.
E a outra maior ferida, é a de ter perdido meu pai e mentor para aquele homem egoísta, o ex-capitão. Mas, mesmo com desconfiança, mesmo com medo, ainda assim não posso abandonar esta cidade. Não posso abandonar meus votos. Eles são tudo que tenho, e tudo que me resta de meu mentor. Então, durante minha estadia, faço tudo que é preciso para ajudar, enquanto me afundo em livros para descobrir tudo que posso sobre o Império. Sobre Terânia. Sobre os Cavaleiros Imperiais. Seus dogmas, suas crenças, sua história.
Minha eventual ausência é explicada quando viajo para a cidade Imperial com meu cavalo para comprar ingredientes novos, e também -não que eu diga isso para os outros, mas..- na intenção de visitar aquele que tenho como único amigo e ente querido, o soldado Wall. E algumas pessoas já fofocam achando ser mais que uma amizade. Não digo nada sobre o assunto a ninguém.
Meus estudos estão longe de acabar, quando o velho capitão assume o cargo de Cross. Seu nome é William. E ele finalmente decide me chamar. Visto roupas simples de linho branco, e uma tablard, que era de meu pai e mestre. Também carrego atravessado no ombro um pesado tomo.
Bato na porta algumas vezes antes de entrar, e então, me apresento ao novo capitão da guarda da cidade. Junto os pés, curvo meu corpo ligeiramente para frente, apoiando minha mão direita na altura do estômago.
-Com licença, Capitão William. Disseram que o senhor desejava me ver.. Sou Katherina..-
Dou dois passos à frente, esperando um retorno. Nesses dias em que fiquei presente na cidade, o capitão deve saber os relatos: se não me mergulho em livros, ocupo a minha cabeça com meu trabalho para esquecer o passado. Sempre estou fazendo alguma coisa, sempre estou ocupada.



Narrador:
Conforme os dias passaram, o Soldado Wall estava mais e mais ocupado. Por um lado era muito bom para a carreira militar dele, pelo outro, Katherina começava a sentir um pouco mais a ausência pesar em seu peito, em sua garganta e claro, algo que lhe atrapalhava um pouco os pensamentos, mas nada demais, nada que a fizesse precisar de concentração ultimamente.

Conforme entrou no escritório do Capitão veterano, o mesmo se levantou de imediato ao ouvir a voz da cavaleira. Estava uniformizado, mas não vestia sua armadura, no máximo suas perneiras que seriam a única parte que iria requerir outros métodos para colocar e era coisa futilmente descomplicado. Sua careca reluziu com a iluminação do sol da manhã e sua barba levemente longa estava preso num rabicho.

- Srta. Katherina! Que bom que pode vir. Estava preocupado com sua recuperação e por isso quis lhe dar o máximo de tempo possível, mas infelizmente alguns assuntos começaram a chamar mais atenção. Recentemente a capital levou nossos melhores e nisso sentimos uma grande perda. Recebi vários chamados para que te alistasse e te levasse para os nossos treinamentos o quanto antes, mas gostaria MUITO que você mesma pudesse treinar os nossos homens. Recentemente tenho contado com a ajuda do nosso clérigo que estará tomando conta da igreja, e assim que as reformas terminarem, estar desempenhando seu papel por completo. Srta. Katherine, sei que na Capital seria uma ótima soldada, mas aqui, quero lhe dar uma oferta maior. Ouvi do comandante Keylosh sobre a ordem dos Cavaleiros Capelões e... quero lhe perguntar é... - pigarreou um pouco - a srta. aceita iniciar a ordem aqui em Warjillis? Se eu ouvi certo, o dogma está acima do nível dos recrutas e isso poderia beneficiar Warjillis a ser mais disciplinada.


Katherina:
Meu problema maior é exatamente o fato de que não confio em ninguém a não ser ele, ou pelo menos,por enquanto. E de vez em quando, é bom se ter alguém para conversar. Por mais que boatos rolem soltos, a verdade é que o soldado é o único amigo que me resta, e a única pessoa que eu tenho como importante, e não quero perdê-lo. Não é um romance, ou um caso. Mas as pessoas adoram espalhar boatos.

Quanto ao novo Capitão da cidade, apenas o olho de cima a baixo. É impossível não notar um certo abatimento em minhas expressões, talvez o cansaço e a tristeza, talvez algo a mais. Sacudo um pouco meus ombros, como que para tirar um peso das costas, ergo minha postura, e tão repentinamente minha expressão muda para algo mais saudável, mais amigável, embora aquele brilho triste no olhar persista.

Apenas ouço o que o homem tem a dizer, meneando positivamente. Enruguei meu lábio inferior, com uma cara de quem ouviu algo complicado, e agora, dou um longo suspiro. Após todo aquele discurso, tudo que ele falou, é óbvio que eu não sei por onde começar. Mas começo.

-É um assunto.. Delicado e complicado, capitão, mas vou tentar esclarecer alguns pontos : Eu não tenho experiência de vida, apesar de ter a vontade de reerguer minha ordem. Sei o importante: nossos dogmas e pelo que lutamos. Antes do senhor efetivamente me proponha isto, quero esclarecer alguns pontos, são os seguintes:-
Faço uma pausa para retomar.

-Nós, cavaleiros capelões, não seguimos a uma nação, uma pátria, ou uma bandeira, se não a da justiça. Posso, sim, garantir um juramento de lealdade lado a lado, até que nossos objetivos em comum sejam realizados ou, na pior das hipóteses, a nação cuja qual lutemos ao lado traia seus preceitos e a própria justiça, mesmo que seja em prol do bem... Nem sempre a justiça é bondosa, ela vem na medida dos teus crimes, e mesmo lutar pelo bem usando artes sujas não lhe garante proteção.- Observo agora os olhos do capitão, tentando ler alguma resposta, antes de prosseguir.- Estando de acordo com isso, ai sim, posso aceitar tua oferta, mas tenho alguns impedimentos pessoais no momento, que se limitam ainda ao fato de que eu não tenho total conhecimento de tudo que está aqui..- Apoio minha mão sobre o pesado e grosso tomo que carrego a tiracolo - Nada que um pouco de experiência não resolva.-

É difícil, na verdade, seguir o que sigo. É como sacrificar sua vida em prol do próximo, sem levar em conta sua moral ou seu passado. Estou aqui lutando contra o que ví, e me agarrando ao pouco que me resta daqueles que eu me importo com, e é óbvio no meu olhar isso.

-Mesmo se.. Eu recebesse o convite para seguir em treinamento na capital, eu dificilmente irei, pode parecer besteira, mas a honra, ética e moral, são as poucas coisas as quais tenho para me apegar, e são ensinamentos cruciais para mim. Não poderia eu, trair meu juramento, e seguir plenamente uma nação como completo servo... Não é uma questão de orgulho, espero que tenha entendido, mas nossa causa é maior do que uma bandeira. A diferença, é que não somos uma ordem agressiva e incisiva, somos pacíficos, prestamos suporte, e em geral estamos onde precisamos estar.. Bom.. Como estou aqui agora, quero acreditar que posso lutar ao lado do Império em sua causa, como disse, ao lado. O Senhor não viu como foi aquele fatídico dia, mas é por causa de pessoas como o ex-capitão Cross que a minha ordem não segue uma nação. O conhecimento que carrego comigo, ele não existe para ser um perigo, mas há pessoas com moral distorcida que acha que tudo pode ser usado como uma arma, ou como essa pessoa bem entende, se esquecendo do direito alheio.. É por isso,que não posso me subjugar cegamente a uma nação.

-Espero que tenha compreendido um pouco do que sigo, e se deseja realmente ceder um espaço para mim, eu aceitarei de bom grado. Não posso recusar ajuda, não depois de tudo que aconteceu.-

Termino com um dócil sorriso, de uma jovem sonhadora. É complicado, pois muitas coisas se passam em minha mente, e sim, já pensei em seguir um lado da balança, mas não é certo. Me apego a tudo que me foi ensinado, com unhas e dentes.


Narrador:
Capitão William, veterano, era observador, e claro, experiente. Ele pessoalmente desejando mais tarde se retirar para aposentadoria, ainda mostrava ser um ótimo ser em sua função, melhor que isso, era mais do que poderia se esperar de um capitão. Notou o olhar triste  e assim que começou a ouvir Katherina, ergueu o rosto de leve, cruzando os braços, sendo que um deles erguia a mão e coçava o queixo. Seu cenho arqueava, prestando atenção e pensando ao mesmo tempo. Mas tudo o que Kat dizia, o capitão simplesmente meneava positivo.

- Mas um dos motivos para que comece a Ordem dos Cavaleiros Capelões aqui em Warjillis é para que a Capital pare de pegar os nossos melhores. Warjillis é uma cidade periférica e precisa de assistência própria, não podemos esperar a Capital, com toda a sua velocidade - e claro, deu uma enfase nessa ultima parte com certa ironia -, mandar algum socorro, sendo que existem coisas que podem ser momentâneas. E o pior, por causa de ficar pegando os melhores, os que sobram acabam se rebelando ou então os que ficam para trás são aqueles que nunca conseguirão se exercer. Eu gostaria de deixar Warjillis preparado como um realocamento militar, mas independente da Capital. E a idéia é ser independente de tudo.

O veterano andou alguns passos, deu meia volta, e fez o mesmo caminho, indo e voltando.

- Sim imagino que tenha essas motivações reforçadas principalmente depois da atitude de Cross. Uma pena, ele foi colega meu aqui em Warjillis, até eu ser transferido para a Capital. - Parou de andar e virou-se para a cavaleira. - Para falar a verdade, eu sinto que há uma calmaria que está durando demais. O último incidente foi a alguns bons meses atrás onde existiu a ameaça de algum agente do Apocalipse, dizem que dizimou uma cidade inteira e que a ajuda que a Capital mandou não chegou a tempo. É triste pensar que algo assim poderia acontecer a Warjillis só por que não estava bem disciplinada e bem preparada para se defender e mais, ter que esperar a Capital.

William dirigiu-se a sua mesa e, de baixo de tantas papeladas, levantou um que tinha o selo encrustrado, selo de aprovação da Capital.

- A aprovação da Capital para que te deixe iniciar a Ordem dos Cavaleiros Capelões está aqui. - E mais, puxou mais um. - E também lhe veio hoje de manhã, uma carta oficial da Capital. - William entregou os dois para Katherina. Se a garota abrisse, veria que era uma carta de reconhecimento, onde poucos oficiais tinham decoradas em suas paredes. William eram um desses poucos, onde possuía dois.

E nos finalmentes, resolveu soltar ao que se apegou no detalhe. - Sabe, chegou aos meus ouvidos sobre a sua pessoa, sobre o que aconteceu com seu pai, sobre o que Cross fez. - Se aproximou da garota. - É bem compreensível que os fatos recentes tenham lhe causado mais dor. Se aceitar de bom grado, eu realmente gostaria de lavar essa cidade, dar uma aparência mais bonita, um ar mais justo e que reconheça os que possuem talento, que ajude os medianos, e que discipline os ruins. Seremos pacíficos com certeza, pois o máximo que desejo, além de assuntos de Warjillis, é de ter que enviar auxílio para a Capital, para todas as coisas, estaremos trabalhando para reorganizar Warjillis para ser um lugar bem melhor para morar. É um trabalho árduo, mas sei que vai conseguir com suas capacidades, sei que assim que a notícia se espalhar, vão aparecer assuntos relacionados à Ordem dos Capelões. Mas acima de tudo, acredito que uma vez que se constrói uma base forte, dará uma fundação consistente e resistente. - William sorriu largamente. Tinha um ar gentil e claro, tomava cuidado com suas palavras. Possuía um ar carismático que Cross não possuía, e talvez por causa disso, muitos tenham seguido sob o comando dele. Mas pouco-se sabia desse homem, até alguma hora Katherina perguntar.

Katherina:
Para mim, ele soava como um diplomata. E um dos bons. Eu sei algumas coisas, mais do que as pessoas geralmente julgam de mim por causa de minha pouca idade, mas certamente.. Ele sabe bem mais. Diante de tudo que ele disse, não abri meus lábios. Eu me mantive pensando, ponderando, matutando, em fim, decidindo. O capitão tinha um motivo bom, e este motivo, parecia para mim suficiente para não depender da capital. E é ai, que senti um ponto importante.

Estendi minha mão direita para pegar os documentos, e enquanto ele falava, me dei ao luxo de abrir e observar o documento com muita curiosidade. Após ler, ergui meus olhos em direção a ele, guardando aquela carta que parecia ser preciosa em minha cintura.

-Sabe.. Eu acho.. Aliás.. Eu consigo entender as tuas razões. Sendo uma ordem independente, e vista como tal, podemos sim recrutar e treinar soldados que responderão ao nosso comando. Sim, a captial poderá solicitar o nosso auxílio, mas nunca obrigar-nos a responder um chamado. Lógico, não deixaremos de ajudar, mas não entregaríamos todo o contingente de homens assim.. Só para alegrá-los. Eu não tenho todo conhecimento da ordem, sendo honesta contigo, mas sei o suficiente, e sinto que realmente há uma razão no que diz. Então, eu aceito. Acho que minha fama é boa o suficiente para que eu possa encontrar alguns soldados... Bom.. Isso é cortesia de um certo soldado, mas pode vir a calhar. É preciso um pouco de esperança para que algumas sementes surjam, não?-

-Sabe.. Talvez seja disso que eu precise para me sentir melhor. Para deixar o passado para trás. - Finalizo, com um suspiro.

Então, olho para o capitão. Curiosa, bem curiosa na verdade.

-Desculpe minha impertinência, mas.. Você fala.. Como se conhecesse bem o ex-capitão. Qual é a sua relação com ele E.. Qual a motivação de ter vindo para cá, ao invés de ter se deslocado para a capital?

Há uma óbvia expressão de curiosidade em meus rosto, arqueio uma sobrancelha. Me mantenho parada, diferente do capitão que parece bem inquieto, agitado. Minha curiosidade não passa só de mera curiosidade, isso ele pode saber. Depois de se passar pelo que eu passei, preciso conhecer bem quem está ao meu lado.




Narrador:
- Ótimo! - Sorriu à resposta da cavaleira. - Sim sim, concordo no que dizes. Por isto, não apressarei as coisas. Primeiro passo é disciplinar o que temos, meu plano inicial é de ter ao menos dois sargentos, um para recrutar e um para treinar. E nisso, o clérigo que estará chegando em breve poderá nos ajudar. Ele ocupará a igreja uma vez que esta tiver reformada. Toussel é seu nome. Em breve conheceremos ele, ele ainda não se mudou para cá. E por fim, sim, é bom ficarmos ocupados, mantemos a mente ocupada, isso é bom, não há espaço para besteiras.

William deslocou-se para perto de sua mesa, parecia revirar algumas papeladas para ver se não estava esquecendo de nada até ouvir a pergunta da capelã. Parou o que fazia e virou-se com um ar respeitoso para a garota.

- Não esconderei nada de ti, srta Katherina. - Disse num tom divertido e curioso. - Cross, eu frequentamos a academia na mesma época, o mesmo ano. Apesar de ser uns dois anos mais velho, eu permaneci fora por algum tempo para resolver assuntos familiares antes. No que voltei e entrei na academia, Cross estava lá. Era disciplinado, quieto. Não era um homem de muitas palavras no começo. Sei que no fim, ele acabou ficando em Warjillis enquanto eu tive a chance de ir para a Capital onde cresci até o Rank de Capitão. Quanto ao fato de ter voltado para cá, bem, eu me mudei para Warjillis, antes disso era filho de fazendeiros. Meu pai serviu Terania antes, na época de Zenon. Mas com a guerra, tive de mudar para Warjillis com minha única irmã, já que minha mãe faleceu ao dar luz pela última vez. Ficamos boa parte da adolescência na fazenda até mudarmos para cá. Bem, hoje minha irmã vive na Capital por motivos de segurança onde construiu uma família. E eu, eu quis voltar porque agora era a melhor chance de trabalhar na minha aposentadoria que não pretendo que seja muito em breve e também era a melhor hora de dar uma chance para Warjillis se erguer da melhor forma possível.

William voltou-se para a mesa e revirou as papeladas. Mais algumas vezes até puxar uma terceira folha só naquele encontro.

- Bem, eu sei que estará ocupada trabalhando na Ordem, mas existe uma outra oferta depois que souberam em certa destreza ao manipular reagentes químicos. A Capital está pensando em mandar um representante para o laboratório daqui para transformar numa farmácia. Acredito que eles tenham boa chance de trabalhar em remédios aqui contigo, srta. Aceitaria também? Isto tomará bastante de seu tempo junto com a reconstrução da Ordem dos Capelões. - William olhou para Katherina com um ar bem curioso, era bastante trabalho para uma adolescente ainda.


Katherina:
Por um instante permaneço um pouco tensa, pois bem sei eu como algumas pessoas não gostam de curiosidade, e não tenho intimidade com aquele capitão. Na verdade, não tenho costume de conversar com alguma outra pessoa a não ser o Soldado que agora mora longe, e comigo mesma. Até mesmo aqui em Warjillis, pouco os habitantes sabem sobre mim. O que as pessoas sabem, é que Cross foi responsável pela morte do meu pai e meus companheiros, e mesmo assim eu estou aqui, tentando ajudar. Alguns me têm como heroína, mas a verdade é que para mim, tudo foi um grande acaso. Relaxo um pouco com a mudança de tom dele, mas ainda assim, permaneço no mesmo local.

Arqueio uma sobrancelha quanto a outra ordem, de certa forma curiosa sobre o que ela fala, e me dou ao luxo de dar um passo a frente, virando meu rosto de forma curiosa em direção ao papel. Mais uma ordem? Pois bem. Levo minha mão direita ao queixo, coçando-o levemente, como quem intrigada. Então, começo a falar.

-Bom... Primeiras coisas, primeiro. É uma seleção demorada para ver quais soldados são aptos a serem Capelões, para começo de conversa. Não só habilidades físicas, mas a moral e a ética, as vezes mais importantes que condições físicas. Sabe.. Soldados novatos e não treinados, sonhadores, que tenham tudo que é necessário aqui - aponto para minha cabeça-  e aqui - e depois, apoio minha mão sobre o peito - são cruciais. Muitos de nós, nem somos ou éramos combatentes treinados, mas exímios defensores e curandeiros. É um objetivo tido como alguns como tolo, por outros como nobre, seguir a justiça e se dar tudo de sí para garantir que aqueles que estão ao seu redor estejam protegidos. Proteger o outro, acima de tudo. - volto a coçar o queixo, pois pondero sobre o laboratório.- Bom.. Acho que tens em mente que, quando conseguir fundar algo sólido de minha ordem, provavelmente vou querer erguer provavelmente um local próprio para nós, e isso inclui um laboratório. Há alguma coisa contra isso?-

Cruzo os braços, ajeito minha postura, antes de finalizar.

-E, respondendo quanto a tua última pergunta, acho... - Pigarreio um pouco.- Não, achar é uma palavra muito feia. Vou fazer o possível para ajudar o representante, só não garanto ainda algo sobre compartilhar receitas.. Mas ajudarei, sim, em tudo que puder. Não creio que vá me atrapalhar muito, na verdade, se um soldado quer ser um Cavaleiro Capelão, ele tem que conhecer sobre remédios, formas de aplicar, e ter acesso ao laboratório também irá me ajudar muito.-

Concluo com um sorriso, parecendo mais firme e confiante quanto a minha declaração do que no começo daquela frase. Afinal, como dizem, nem tudo é por acaso, e se eu estou aqui, esta cidade precisa de mim.


Narrador:
William coçou o queixo, era esperado ouvir que haveria uma seleção.

- Aqueles que apoiaram Cross conhecendo a índole do ex-Capitão, estão fora. Mas ainda sim, os que restaram e são leais, não quer dizer que são aptos. Mas poderia dar mais de uma chance a eles para mostrarem que são aptos? Já tivemos casos de gente esforçada por mais que não tivessem talento. - Sorriu de leve, as rugas aparecendo nisto. - E do jeito que está descrevendo, sinto que há uma pequena mistura de paladinismo adicionado à química ou alquimia, dependendo de como quem está usando o que. Isto é realmente interessante e ao mesmo tempo novo... e... diferente, vai nos ajudar a ganhar certa independência quanto a esse aspecto, comparado à Capital.

William virou-se de costas e foi diretamente para um mural que outrora era vazio na presença de Cross. O mural que servia apenas para escorar estantes agora estava vazia, sem a mobília, permanecendo apenas um mapa enfeitando o local. Era o mapa de Warjillis, o que ela era atualmente. William virou-se de costas para pensar sobre o local que ela queria, um local próprio.

- Primeiro de tudo, uma academia de treinamento será presente, mas terá dois escritórios, se não três, srta. Katherina. O primeiro, onde ainda trabalhará boa parte no começo será aqui comigo. A cidade está sofrendo mudanças de procedimentos e algumas coisas precisam ser resolvidas. Apesar de manter meu título de capitão, ainda teremos de esperar o clérigo e o chefe químico. Mas antes de nos mudarmos para cá, nós decidimos numa reunião na Capital que integraríamos-te para deixar ciente dos procedimentos antigos, novos e os que serão renovados. Precisávamos ouvir um pouco das suas condições antes. Quanto ao seu segundo escritório, será na academia dos Capelões, não precisa se chamar assim, mas é apenas uma referência. Seu provável terceiro escritório será no laboratório. Mas isso, bem, isso são apenas planos. Prefiro começar com o que temos primeiro, sim? - William apontou no mapa de Warjillis, um campo enorme que tinha atrás da Igreja. Ao outro lado do local, apontou o local que a academia iria ser construída. - Mas agora poderemos só começar com algo se terminarmos primeiro com a igreja. Muitas outras construções que no fim nem sofreram nada com a revolução de Cross, já estavam em estado deplorável.

O ponto que Cross desenhava com um giz, era um local decente, não muito longe, nem muito perto. Ficava dentro de um triangulo de onde a Igreja estava, o escritório de William e o laboratório. O Campo aberto iria ser dividido tanto pela igreja como pela academia para ser o local de treinamento físico. O capitão virou-se para Katherina, seu olhar tranquilo e observador caindo sobre ela.

- O representante, ou melhor, o chefe do laboratório é um elfo farmaceutico. Tem seus maneirismos... bem peculiares e exóticos, mas acho que vai se dar bem com ele. Se chama Tinsel. Bom... Hoje vai ser um dia bem pesado. - Capitão William se desfez de qualquer parte metálica de sua armadura e calçou um par de botas e colocou luvas. - Os garotos das reformas vão precisar de toda a ajuda que puderem. - O homem dirigiu-se para a porta após pegar um molho de chaves e saiu primeiro, se esticando bem e esperando Katherina também sair.


Katherina:
Nem pareço pensar sobre o que ele supõe ou pede, apenas dou um sorriso e meneio positivamente, pois concordo. Todos precisam de uma chance. E é isso que quero dizer. Completo.

-Sim, todos devem ter uma chance. A seleção.. Ou chame de treinamento.. Servirá exatamente para testar o quão apto eles estão. Então.. Diremos que haverá um primeiro treinamento.. E este, servirá como seleção.- Faço uma pausa, e quanto ao paladinismo, apenas meneio positivamente.

Me aproximo em passos curtos do mural, observando o mapa da cidade, e enquanto o faço, tento decorar um pouco da disposição dos prédios, caso precise saber de alguma passagem rápida para algum lugar. Até que encontro o local o qual ele indica, entre os edifícios. Durante sua fala, apenas meneio, indicando que o compreendo, e de vez em quando, olho para ele, deixando a impressão de que sim, estou prestando atenção. De minha parte, tudo que era preciso falar já tinha sido dito. Quando a explicação termina, me viro para o capitão, encontrando o olhar dele com o meu.

-Certo.. Entendo. Então.. é isso. - Arqueio uma sobrancelha, quando ouço o nome do elfo- Tinsel..? Certo.. Irei guardar este nome. -

Volto por um momento a olhar para o mapa enquanto o capitão retira as partes de metal de seu traje, e falo num tom baixo, enquanto memorizo algumas localizações e vielas ao redor da área que ele indicou.

-Quer que eu ajude em algo..? Não sou uma trabalhadora braçal, mas enquanto o farmacêutico não chega, acho que posso sair um pouco do meu escritório e ajudar em algumas coisas. - Quando o capitão começa a se mover, me viro em direção a porta, e me desloco a passos lentos, enquanto espero uma resposta.

A verdade é que eu estou um pouco entediada de ficar escondida dentro de uma sala, ou ficar enfurnada em meus aparatos fazendo medicamentos. Bom, a resposta sendo positiva, irei segui-lo, caso contrário, voltarei aos meus afazeres diários.


Narrador:
William sorriu largamente, mostrando os dentes bem cuidados até. O capitão era um homem decente e Katherina já podia notar isso. Assim que a garota saiu, fechou a porta e trancou com pelo menos 5 chaves e ainda terminou com um cadeado.

- Bem... quanto à ajuda... Temos alguns recém recrutas que querem ajudar, são bem dispostos. Como a maioria dos homens acabou seguindo mais William, quem acabou sobrando mais são as mulheres. Elas não são as forças em grande parte, então acho que se juntar a elas e pintar as paredes da igreja deixará Toussel bem feliz, o que acha?

[uniforme dos recrutas]

E considerando que Katherina ajudasse na reforma e reconstrução de alguns lugares pelos próximos dias, algumas semanas se passavam. A cidade sofreu uma boa re-estrutura decente, mas ainda tudo a caminho. E como dito por William, Toussel e Tinsel vieram mais tarde, cada um com suas peculiaridades. O homem encarregado da igreja era refinado e gostava de um bom vinho, suas doutrinas e dogmas batiam bem com os que Katherina se recordava dos Cavaleiros Capelões. O chefe químico Tinsel veio depois, todo cheio de frescura, mas ao mesmo tempo todo cheio de conhecimento; um homem(que de trás poderia ser confundido com mulher) exigente, que acabou compartilhando algumas idéias e conhecimento de poções com Katherina.

Quanto à Ordem, depois de uma série de decisões e planejamentos, Toussel acabou ficando com o preparo físico dos recrutas, enquanto Tinsel ficou com os ensinamentos químicos. William por sua vez acabou ensinando o combate, aula que Katherina acabou sendo integrada junto.

Katherina por sua vez era quem dava a aula de dogmas, doutrinas e disciplina. Como professora, e uma das mais novas da história, acabou sofrendo no começo. MAs aperfeiçoando suas habilidades de ensino, começou a ser respeitada. Katherine também ficou encarregada de recrutar e também aplicar as provas de recrutamento. As provas finais que cada disciplina precisava ser testada, Katherina era acompanhada por cada representante.

Warjillis estava sofrendo uma mudança, e uma mudança das boas. Apesar do Quartel dos Capelões ainda não estar pronto, havia muitos lugares para poderem usar para dar as aulas, inclusive a igreja. A Capelã veterana foi realocada para uma residência individual com o tempo, tendo a própria moradia e claro, seu rendimento que era considerado alto para sua idade. Tempos que se tornaram agradáveis.

~ Fim do Epílogo ~
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